
CIP tem cópia de todas as batatas conhecidas no mundo.
Formatos são os mais variados e curiosos possíveis.Solanum tuberosum - esse é o nome científico da batata. Comida de pobre, como mostrou o pintor holandês Van Gogh no famoso quadro "Os Comedores de Batata". No Brasil, ela inspirou um gênio da literatura, também: Machado de Assis. “Ao vencedor, as batatas!”. O Globo Rural cruzou a América do Sul para visitar o Peru, país de origem da batata.
Em um bairro da periferia de Lima fica o CIP - Centro Internacional de la Papa (batata, em espanhol). Mantido por ONGs, ONU e 58 países (o Brasil inclusive), o CIP guarda um tesouro para a humanidade: o Banco de Germoplasma, um banco de sementes conservadas a 20 graus abaixo de zero. Tem a cópia de todas as batatas conhecidas no mundo.
Ao longo da Cordilheira dos Andes, da Venezuela ao Chile, são plantados e comidos 4.235 tipos de batatas, com tonalidades que variam do claro ao negro. Os formatos são os mais variados e curiosos possíveis. Tem batata que lembra mandioca, pêra, caju, pata de tigre.
O agrônomo René Gomez, que há mais de 30 anos faz pesquisas com batata, é o curador do Banco de Germoplasma do CIP. Ele explica que as variedades nativas, em maioria, guardam nomes ainda das línguas que eram faladas nos Andes, antes da chegada dos espanhóis, especialmente, o quíchua, que o idioma oficial dos incas.
René já experimentou todos os tipos de batatas. “Há duas que se destacam. Tem a lúcuma, que se parece com uma fruta andina do mesmo nome; e a chillis runtush, que é a minha preferida. Ela é bem amarela, riquíssima em caroteno, fonte de vitamina A. Lembra gema de ovo”, diz.
A equipe do Globo Rural visitou uma associação de paperos, conhecida como Yerba Buena Chica, a 3,5 mil metros de altitude. A engenheira agrônoma Celfia Ramirez Obregon é presidente da Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Peru e trabalha com o resgate de batatas nativas. “Já conseguimos recuperar 64 variedades, o que não é muito considerando que só o Peru tem 3,5 mil variedades. Mas já é um grande passo. Pois aquilo que mal dava para a subsistência agora está trazendo renda para essas comunidades isoladas.”
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